quinta-feira, 2 de março de 2017

Igreja Neogótica de Laju, Mondaí, SC



Pesquisa de Joice Renz, Ieda Gehm, Isabel Schneiders, Cleiton Santos – Acadêmicos do Curso de Arquitetura e Urbanismo da FAI Faculdades
 
 
Fachada frontal

O estilo de arte Gótica e Neogótica foi desenvolvido na Europa, sendo classificado como Arte das Igrejas.

A arquitetura foi um dos principais meios de expressão deste estilo, criando imponentes igrejas, onde tinham como base o forte simbolismo teológico. Em meados do século XIX, surgiu o Neogótico, que influenciou a Europa e as Américas, aumentando o número de construções nesses estilos. Essa criação está ligada ao rompimento das normas clássicas e ao ecletismo historicista típico do período. O neogótico recupera a irregularidade das linhas e da construção, assim como inclina-se aos efeitos insólitos e surpreendentes. Mas, este estilo não ficou apenas na Europa, ele se desenvolveu e se expandiu para diversos lugares do mundo. Laju é um grande exemplo disso. Uma vila localizada em Mondaí, SC, que recebeu traços deste estilo. 

Pesquisar a história da Paróquia de confissão luterana de Mondaí requer que conheçamos um pouco da história, principalmente referindo-se a religião que os mesmos praticavam.

A religião foi sempre manancial perene e fecundo de coragem e heroísmo, de esperança e de tranquilidade em meio às duras privações e as árduas atividades cotidianas típicas da colonização regional. A população mantinha cuidados severos em relação a tradições cristãs e os costumes piedosos na vida familiar.

A fundação de Porto Feliz (Mondaí) aconteceu em 20 de maio de 1922. Por volta de 1923/24, um grande número de colonos veio para Porto Feliz, uma vez que aqui se pretendia naquela época fundar uma grande colônia Evangélica no Oeste Catarinense. Empenhado na função de pastor nas novas colônias, o pastor Nummelthey fez uma longa jornada, saindo de Montenegro com destino a Porto Feliz, enfrentando muitas dificuldades durante a viagem.

Enviado pelo Sínodo Rio-grandense, que era o órgão de representação luterana, da Igreja nessa região, Nummelthey ficou muito entusiasmado com a localização e a qualidade das terras, cobertas de matas densas, assim como também o clima.

No ano de 1924, veio a Porto Feliz com sua família o pastor Karl Friedrich Ramminger. O mesmo fora missionário na China e também em Neu-Württemberg (Panambi). Desistiu do pastorado e se mudou para Porto Feliz, mais exatamente em Barra Escondida.

A formação da comunidade foi mais demorada. Em 28 de junho de 1925 apresentaram-se os estatutos e fundou-se a comunidade Evangélica de Porto Feliz.

Durante esse período foram enormes as dificuldades enfrentadas pela comunidade. Em 1926 chegaram outros colonizadores de outras confissões, como católicos e batista, principalmente para que o empreendimento colonizatório não falisse.

A partir de 1926 intensificou-se a criação de novas comunidades no interior, como: Laju, Piraju, Pinhal (atual Iporã do Oeste), Linha Antas, Mondaizinho, Taipas.

A igreja de Laju foi edificada com a ajuda de seus sócios fundadores que deveriam ajudar com uma quantia de dinheiro, mas como naquela época a maioria não continha muitos bens, a igreja impôs que as famílias que não tivessem este recurso deveriam ofertar mão de obra para auxiliar na construção do monumento religioso.


A estrutura possui elementos ecléticos, mas com fortes traços neogóticos, como as aberturas em ogival decoradas com vitrais policromáticos, a torre monumental, pináculos, o relógio na torre (desativado), a verticalidade, a luminosidade interior, ornamentos decorativos, rosácea.


Abertura com arco ogival


Fachada lateral

Altar

Torre com relógio



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Igreja Matriz de Três Passos - RS

Pesquisa de Kívia Unser, Andréa Schroeder e Sandra Fernandes
Acadêmicas do Curso de Arquitetura e Urbanismo da FAI Faculdades

IGREJA CATÓLICA SANTA INÊS, TRÊS PASSOS, RIO GRANDE DO SUL

Fachada frontal

Início da construção: 1958
Término da construção: 1972
Área total construída: 1891,82m²



A proteção do patrimônio cultural e a expansão urbana é um desafio não só do poder público, mas também papel fundamental de cada cidadão.
Perceber-se a degradação de inúmeras obras, que em muitas cidades possuem valor artístico e cultural, de propriedade publica ou particular, onde muitas delas lamentavelmente dão lugar a outras edificações que se sobrepõem a paisagem tradicional, desconsiderando todos os condicionantes do espaço urbano e sua história.
A Igreja, com construção iniciada em 1958, apresenta estilo arquitetônico caracteristicamente neogótico. Os arcos e as nervuras possuem simbologia de culto e adoração. A ocorrência da rosácea e dos pináculos também reforçam esse estilo. Os vitrais coloridos e ilustrados representam também o estilo.

ESTRUTURA
PAREDES: Foram feitas em alvenaria de tijolos assentadas com argamassa de cal, areia e cimento.
COBERTURA: A Igreja apresenta cobertura em telhas de barro do tipo francesas;
PISO: Apresenta piso de cerâmica (diferente do que consta no memorial).
FORRO: Foi feito em placas mineral (60cmx60cm). Segundo memorial deveria ter sido feito em tabuas de madeira.
ESQUADRIAS: As portas são em Madeira de louro e do tipo almofadadas e as janelas em perfis de ferro tipo vitrais.


TÉCNICAS E SISTEMA CONSTRUTIVOS UTILIZADOS
Arco ogival: É um elemento geométrico característico da arquitetura gótica que veio substituir o arco de volta perfeita utilizado no Românico.
Colunas: Na arquitetura, Coluna é um elemento arquitetônico vertical, alongado. As colunas geralmente são utilizadas para suportar o peso da estrutura, mas podem servir também para fins decorativos.

CARACTERÍSTICAS PLÁSTICAS
          Dominância vertical;
          Dominância dos vazios sobre os cheios;
          Simetria;
          Impressão de força, grandiosidade e delicadeza;
          Aspecto imponente;
          Escala monumental – enormes dimensões;
          Iluminação compensada pelos vitrais coloridos;
          Temática decorativa;
          Fachada principal em três níveis 
Fachada lateral

PRESERVAÇÃO E CONDIÇÕES ATUAIS
O processo de construção da Igreja passou por uma longa etapa, levando cerca de 10 anos. Primeiramente ergueu-se a Nave Central. Anos mais tarde a parte onde hoje fica o Altar e por último levantaram a única Torre da Igreja. Sua fachada apresenta cor bege com detalhes em branco.
A estrutura em si está muito bem conservada possibilitando o acontecimento de celebrações regulares. Entretanto, algumas reformas estão sendo feitas no forro da mesma, deteriorado devido algumas goteiras provenientes de problemas existentes na cobertura que já foram solucionados. A cobertura de telhas de barro foi reformada com o decorrer dos anos apresentando partes em telhas de aluzinco assim como a pintura que deve receber atenção de tempos em tempos. 


Nave central e duas naves laterais

RELAÇÃO DO ESPAÇO COM O ENTORNO URBANO E A POPULAÇÃO
É fácil reconhecer quando estamos em algum lugar antigo da cidade, as formas construídas denunciam a passagem do tempo, são tipos específicos, arquiteturas, materiais que são fáceis e identificar e diferenciar dos demais locais da dentro da cidade.
Os prédios do antigo Centro de Três Passos não são carregados de vidros e espelhos como os de outras partes da cidade, e isso é uma marca da identidade histórica do local, conservando-se antigos casarões e edificações históricas.
 


 
Memorial descritivo quando da sua construção


Planta baixa: 1 - Altar; 2 - Sacristia; 3 - Transepto; 4 - Nave Central; 5 - Nave lateral; 6 - Torre;           7 - Nartex; 8 - Sala batismal.
Arco ogival

Colunas na fachada frontal

Fachada frontal



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Igreja de Linha Catres, Mondaí/SC



Pesquisa elaborada por Gean Barth, Gilmar Kessler, Patrícia Flach e Vanessa Hofstetter.
Acadêmicos do Curso de Arquitetura e Urbanismo da FAI Faculdades.

A Igreja Puríssimo Coração de Maria, de confissão católica, está situada na Linha Catres, interior do município de Mondaí/SC. Localizada numa área comunitária de 6.000 m², a edificação tem em torno 534 m². 

Foto: Jairo Hofstetter


A colonização de Linha Catres teve início aproximadamente nos anos de 1926 a 1927. O primeiro morador foi o Sr. Herbert Grünewald juntamente com a sua mãe, o qual retornou para Alemanha onde teria morrido como combatente na segunda guerra mundial e sua mãe foi enterrada no cemitério de Catres.

Mais tarde, vieram pessoas do Rio Grande do Sul, a maioria da cidade de Arroio do Meio, , sendo estes os colonizadores destas terras: Oscar Kern, Edmundo Born e Reinoldo Zanck, Fridoldo Blatt, Pedro Meier, Eugênio Maldaner, Guilherme Hofstetter, Francisco Spielmann, Pedro Magerl, Rainoldo Gergen, Balduino Specht e Wilibaldo Weizenmann.
Primeira capela.  Foto: Arquivo da comunidade

Segundo relatos de colonizadores, o nome da comunidade surgiu devido ao fato de um morador ter perdido uma cama na sua mudança, a qual quebrou, sendo que na língua Guaraní “catre” significaria cama quebrada, dando origem ao nome “CATRES”.

Já em 1944 foi inaugurada a capela que servia também como escola, com sua primeira missa celebrada pelo Padre Teodoro Treiss e iniciando as atividades escolares com a professora Lucila Elisabeta Maria Krenzel. No ano de 1962, a comunidade recebeu seu primeiro prédio escolar, uma sala de madeira, do governo Estadual, que foi construída num terreno doado pelo Sr. João Marasca.

No dia 7 de fevereiro de 1960 foi realizada uma primeira reunião para discutir o desejo de construção de uma nova igreja. Um desejo colocado em prática numa segunda reunião realizada em 24 de fevereiro de 1961, onde já foi escolhida através de votação dos sócios, a comissão construtora, a qual foi constituída pelos já falecidos Matias Afonso Veit, Leopoldo Celestino Flach, Benjamim Hofstetter, Artur Gabriel, e Afonso Meier. 

Construção da atual Igreja. Foto: Arquivo da comunidade


Na época do início da construção da igreja, 80 (oitenta) famílias residiam na comunidade, as quais eram visitadas regularmente pelo Padre Vendelino Seidel e pela comissão construtora. Sendo que, conforme decidido pela comissão, cada família trabalharia um determinado número de dias prestando serviços e teria a obrigação de fornecer anualmente uma certa quantia em dinheiro, o equivalente a 100Kg de porco.
A partir dos meados de 1966 as celebrações da comunidade já eram realizadas na nova igreja, mesmo que a mesma não estava bem concluída. A inauguração foi celebrada pelo Padre Afonso Hansel, o qual foi o representante oficial do Bispo de Chapecó.

A constituição de um elo de ligação entre comunidade e o legado histórico-cultural acontece a partir do reconhecimento desse patrimônio pelos membros dessa comunidade. Esse processo só se torna efetivo quando o patrimônio tem a capacidade de oferecer um sentido identitário à comunidade local, esse sentido é identificado principalmente no valor afetivo expressado no relato dos moradores, que demonstram o significado da igreja como parte da tradição perpetuada dentro do âmbito familiar, pela vivência e memória dos acontecimentos individuais e coletivos que estão sempre relacionados a igreja.

A Igreja Puríssimo Coração de Maria foi construída com cerca de 12 mil tijolos, adquiridos com o morador Ferdinando Krenzel que possuía uma olaria movida a tração de duas mulas em Catres, sendo todos esses tijolos puxados de carroça pelos moradores até o local da construção.

Naquela época não existia brita, por isso foi usado o cascalho, o qual era retirado do Rio Uruguai juntamente com a areia pelos moradores. A madeira para caixarias e andaimes eram todos doados pelos moradores.

O estilo da igreja traz características da arquitetura neogótica, tais como a verticalidade, os arcos cruzados, a torre pontiaguda e verticalizada, as portas e janelas com arcos ogivais, formas encontradas também no altar e nas fachadas.  Ela é formada por uma única nave.

A igreja construída sob responsabilidade do Engenheiro Humberto Machado, e desenhista Adão Bueno, possui 35 metros de comprimento por 15 metros de largura e uma torre de 35 metros de altura.